A história do HC

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A história do Hospital de Clínicas começa muito antes do seu funcionamento, em 1961. Inicia em 19 de dezembro de 1912, quando foi fundada a Universidade do Paraná, junto a um modesto sobrado, localizado à Rua Comendador Araújo, 42. O aprendizado prático do curso de Medicina era feito na Santa Casa, no Hospital Nossa Senhora da Luz, e partir de 1930, em outros hospitais como o da Cruz Vermelha e o Hospital Oswaldo Cruz.

Em 1918, quando uma epidemia de gripe espanhola se alastrou pelo Paraná, o curso de Medicina passou a ter importância fundamental. O Grêmio dos acadêmicos de Medicina, hoje conhecido como Diretório Nilo Cairo, atendeu a vários pedidos de prefeituras do interior do Estado. Os alunos foram agraciados com votos de louvor e gratidão externados nos principais jornais.

No primeiro governo de Moyses Lupion, surgiu no Paraná a ideia de se construir um grande hospital geral que pudesse ser utilizado pelos estudantes de Medicina.

Por ato do Poder Executivo, publicado no diário Oficial do Estado em 23 de agosto de 1948, foi desapropriada uma área de 2.687m2 pertencente ao Sr. Agostinho Ermelino de Leão, destinada à construção do prédio central do hospital.

Durante os anos seguintes, foi erguida a estrutura do edifício central que, ainda hoje, é a parte mais alta do Hospital de Clínicas. Mas a obra foi paralisada por alguns anos por falta de verbas. Ao mesmo tempo, o movimento pela federalização da Universidade do Paraná tornou-se irreversível e, em 4 de dezembro de 1950, foi criada a Universidade Federal do Paraná, de acordo com a lei nº 1254.

No governo de Bento Munhoz da Rocha Neto, foram iniciadas a articulações para a transferência do Hospital de Clínicas para a UFPR, com o importante apoio do reitor Flávio Suplicy de Lacerda.

Em 1953, o Hospital de Clínicas, ainda por terminar, foi incorporado ao patrimônio da UFPR pela lei estadual nº 1212 após a incorporação, a equipe do Professor Odair Pacheco, da Universidade de São Paulo, foi contrata pela Universidade para fazer a revisão do projeto já existente.

Originalmente, o Hospital teria apenas o prédio central, construído numa área de 23.000m2, mas, após vários estudos e visitas nas obras, foi aprovada a construção simultânea de edifícios anexos e o do central com diversas alterações introduzidas ao projeto inicial, ampliando área a ser construída para 40.450m2.

Em 1959, o Hospital de Clínicas já estava praticamente concluído. Entretanto, somente no dia 26 de março de 1961 foi oficializada a inauguração das instalações do HC, com o descerramento da placa comemorativa pelo ministro da Educação e Cultura, Clóvis Salgado da Gama, representante do presidente da República Jucelino Kubitschek de Oliveira.

Graças a capacidade técnica, tenacidade e visão de futuro do reitor Flávio Suplicy de Lacerda, cuja a gestão foi de 16 anos, o Hospital de Clínicas teve suas instalações concluídas.

No dia 05 de agosto de 1961, o Presidente Jânio Quadros veio a Curitiba, fez uma visita minuciosa a todas às unidades e o Hospital de Clínicas foi oficialmente declarado em funcionamento. Neste período era Governador do Estado do Paraná Nei Braga e prefeito de Curitiba Iberê de Matos.

A partir de 1962, iniciou a obrigatoriedade de estágio no HC/UFPR para o 6º período de Medicina e o convênio para outros estudantes do país.

Já em 1972, o HC foi o primeiro centro médico do Brasil a criar o Diagnóstico de Doenças Neuromusculares pelo Serviço de Neurologia; no ano seguinte, realiza o primeiro transplante renal. Em 1978, inaugura o Banco de Leite Humano que se tornou referência no Paraná e atualmente é um dos Bancos de Leite Humano do país com maior volume. Também, nesse ano, foi inaugurado o Serviço de Hematopediatria, referência no atendimento de crianças com doenças hemato-oncológicas, atualmente mantém intercâmbio com o St. Jude Children’s Research Hospital, de Menphis, no Tennessee (EUA), participando de videoconfrência e discussão de casos com a equipe daquele hospital.

Em 1979 foi criado o Serviço de Transplante de Medula Óssea (STMO), realizando o primeiro transplante da América Latina. Registrou-se também nesse ano a informatização dos serviços administrativos do hospital.

No início da década de 1980, o HC inaugura as novas instalações do Centro Cirúrgico no 5º andar do prédio central. Em 1983, implanta o Alojamento Conjunto da Maternidade; cria, em 1986, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, ano em que há a Fundação da Associação dos Amigos do HC.

Na década de 90, o HC obteve várias conquistas como: a implantação do Sistema de Informações Hospitalares – SIH; recebe o Título de Hospital Padrão oferecido pelo Ministério da Saúde por ter se destacado em atividades de controle de infecção hospitalar. Em 1991, realiza o primeiro transplante hepático e foi o primeiro centro do Paraná a realizar transplante intervivos em adultos e, pioneiro também na realização do primeiro transplante duplo intervivos de fígado e rim, se constituindo no segundo caso no Brasil e um dos cinco casos citados na literatura mundial. Atualmente realiza também transplantes duplos de pâncreas e rim. É considerado um dos principais centros do país em volume de transplantes desse tipo. Ainda em 1991 inaugura o Centro Obstétrico.

O ano de 1992 marcou a realização do primeiro transplante de medula óssea utilizando células de sangue de cordão umbilical. E ainda foram realizados os primeiros transplantes, de córnea e de coração. A primeira cirurgia de epilepsia, pelo programa de mesmo nome, foi realizada em 1994. Em 1995, além de ser responsável pelo primeiro transplante de ossos, pelo Serviço de Ortopedia e Traumatologia, ainda recebe da UNICEF a distinção Hospital Amigo da Criança.

No ano de 1996, inaugura o Serviço de Cirurgia Pediátrica e a Unidade de Endocrinologia Pediátrica, esta, com equipe multiprofissional que realiza atendimento e tratamento de crianças com erros inatos de metabolismo, diabéticas, com nanismo e outros distúrbios do crescimento. É o primeiro centro de referência credenciado pelo Ministério da Saúde para tratamento do Hipotireoidismo Congênito e Fenilcetonúria de crianças, detectados pelo “Teste do Pezinho”. Em 1997, iniciou as atividades do ambulatório de Síndrome de Down, que conquistou referência nacional, por ser o primeiro centro da América Latina, de atendimento exclusivo a esta síndrome. No mesmo ano, o Ministério da Saúde credenciou o Programa de Atendimento Integral de Epilepsia como um dos 8 Centros Nacionais de Referência para tratamento cirúrgico de epilepsia.

No final da década, ocorreram fatos como, a implantação do Serviço de Ouvidoria; inauguração do Banco de Olhos, e também do Banco de Ossos e Tecidos Músculo-Esqueléticos que foi o primeiro Banco do gênero a ser cadastrado pelo Ministério da Saúde, contando com uma estrutura organizada e equipamentos de ponta para armazenamento dos tecidos, mantendo equipe 24 horas para captação de tecidos, feita em diversos estados do país, com seleção criteriosa de doadores. Implantação dos Projetos “Música e Recreação” e de prevenção à AIDS (“Pipa”) em 1998. Registrando-se em 1999 a inauguração do Centro de Neuropediatria com um corpo médico formado por neuropediatras e ortopedistas pediátricos e, equipe multidisciplinar. Em 1999 houve também a implantação do Projeto de “Parto Humanizado”.

O terceiro milênio começa com a inauguração das novas instalações do Laboratório de Função Pulmonar que passou por uma reestruturação com a aquisição de equipamentos de última geração, proporcionando a modernização e aprimoramento da qualidade técnica, sendo agraciado com o título de Centro de Referência Nacional, concedido pela Sociedade de Pneumologia e Tisiologia. Este laboratório integra o currículo do curso de Medicina constituindo-se em espaço acadêmico para graduação e residência, além de proporcionar campo para a pesquisa científica. Ocorreram, ainda, no ano 2000 a inauguração das novas instalações do Ambulatório de Neoplasia Infantil e, o ingresso do HC no Programa do Centro Colaborador para a Qualidade da Gestão e Assistência Hospitalar do Ministério da Saúde.

Em 2001 houve a inauguração das novas instalações do Biobanco e do Banco de Sangue e Cordão Umbilical e, a integração do HC à Rede Nacional de Humanização. Em2002 foi a vez da UTI Cardiológica, a readequação da Unidade de Transplante Hepático que realizou o primeiro transplante duplo intervivos de fígado e rim e a reforma geral da Unidade de Urologia. Houve também a inauguração do CEGEMPAC – Centro de Genética Molecular e Pesquisa do Câncer em Crianças, referência nacional na avaliação laboratorial do câncer, prioriza a pesquisa com aplicação direta dos resultados na otimização do diagnóstico, do tratamento e da prevenção do câncer pediátrico. Realiza pesquisas em parceria com grandes centros mundiais dos Estados Unidos e da França. Foi o primeiro centro do mundo a implantar com sucesso a campanha do teste de DNA, PCR-RFLP, que detecta uma mutação no gene P53. Também, o ano de 2002, marcou o início do processo de implantação do novo modelo de gestão, denominado Unidades Funcionais, que inseriu todos os funcionários, de qualquer função e nível hierárquico, nas decisões administrativas por meio de colegiados internos.

Em 2003, a inauguração do novo prédio da Unidade de Urgência e Emergência, com 5.689,75 m2, foi um marco na história do Hospital, além da Unidade da Mama e muitas outras construções e reformas, prosseguindo a implantação das Unidades Funcionais. Houve, ainda, o lançamento do primeiro Folder Institucional do HC. Neste mesmo ano, o HC firmou um compromisso de buscar acreditação junto a Organização Nacional de Acreditação-ONA, instituindo para isso, uma Comissão formada por profissionais de diversas categorias com o objetivo de implantar um programa de qualidade capaz de conquistar, num processo de avaliação, o “Certificado de Acreditação”.

O ano de 2004, além de inúmeras obras realizadas, o que marcou foi a assinatura de Contrato de Metas das sete primeiras unidades funcionais e nos anos seguintes, a continuidade do processo de implantação alcançou 16 unidades em funcionamento até dezembro de 2009.

Em 2006, foi inaugurada a nova sede do SEMPR-Serviço de Endocrinologia e Metabologia, referência nacional na assistência médica, ensino, formação profissional e pesquisa em doenças endócrinas e metabólicas, atraindo estudantes e médicos de várias partes do país para realização de estágios e participação nos Programas de Residência e Especialização Médica.

Em 2007, novamente o NMDP (órgão de cadastro mundial de doadores de medula) concede ao Serviço de Transplante de Medula Óssea, deferência atribuída aos órgãos que cumprem 100% dos requisitos exigidos pelo programa de doação de medula, do NMDP. Também neste ano, foi criado o Centro de Pesquisa em Célula Tronco, na área de Cardiologia, oportunidade em que foi demonstrada a primeira aplicação de Célula Tronco da medula óssea no miocárdio, através da Hemodinâmica, estudo realizado em 24 casos, com envolvimento multidisciplinar das equipes da Medicina Nuclear, Hematologia, Laboratório da Hemodinâmica entre outros.

Ainda, se tratando de referência em assistência médica à população, o HC é um dos poucos hospitais do Paraná que atende gestantes de alto risco, para isso possui uma UTI Neonatal com 35 leitos de alto e médio risco, para atendimento aos bebês prematuros e com doenças graves, por uma equipe multidisciplinar com cerca de 100 profissionais em revezamento.

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está às portas do seu cinquentenário sendo o maior hospital do Paraná e, entre os universitários, o quinto maior do país. Referência em vários serviços de saúde, realiza todos os seus atendimentos de forma gratuita, pois é totalmente financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o qual o classifica com o nível de terciário, ou seja, atende somente casos de médio e grave riscos.

Em 2009, foi referenciado para atender, prioritariamente, os casos de gripe influenza A H1N1. A Unidade de Urgência e Emergência destinou toda a estrutura, com Pronto-Atendimento, Unidade de Terapia Intensiva e outra Semi-Intensiva, para este fim, além das alas de internamento de pacientes com doenças infecto-contagiosas. O tratamento de pacientes com doenças oncológicas é, sem dúvida, uma das áreas de grande visibilidade social do Hospital de Clínicas. Ainda, em 2009, o Serviço de Transplantes de Medula Óssea (STMO) completou 30 anos de atividades como referência mundial com a realização de quase 2.000 transplantes, desde sua criação. Também neste ano o HC obteve credenciamento pela Comissão de Residência Multiprofissional do MEC e a autorização para oferta do primeiro Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Atenção Hospitalar, com a liberação de 20 vagas.

O Hospital de Clínicas atualmente possui 60.473 mil metros quadrados de área construída: 261 consultórios e dispõe de 643 leitos distribuídos em 59 especialidades. Nele trabalham 3.113 funcionários (1.055 vinculados à Fundação de Apoio e 2.058 ao MEC), 266 docentes do curso de medicina e, ainda, 248 residentes atendendo um universo populacional regional de 411 mil pessoas do Estado do Paraná (97% das pessoas atendidas) e realizando uma média mensal de 60.920 mil atendimentos, com um índice de 1.464 internações e 837 cirurgias. É o maior prestador de serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) do estado do Paraná.

Como hospital universitário, da UFPR, seu corpo funcional, médicos, professores e residentes são reconhecidos, tanto pelo atendimento médico na área assistencial, quanto pela qualidade de ensino, pesquisas científicas e atividades de extensão.

Fontes: 
- Boletim da Universidade Federal do Paraná. Março 1960 – Ano V – Número 46
- Relatório de Atividades do Hospital de Clínicas da UFPR. 2008 
- JHC - Jornal do Hospital de Clínicas da UFPR. Edição 124 – Outubro 2009