Você já riu tanto a ponto de fazer xixi?

Abas primárias

Profissional: 
Gisela Maria Assis
Data da Notícia: 
28/01/2016 - 08:27
Tipo: 
HC
Programa / Caderno: 
Corpo: 

mulher rindo

A enfermeira Gisela Maria Assis, responsável pelo ambulatório de enfermagem em incontinências do Hospital de Clínicas de Curitiba, faz um alerta sobre perda urinária

“Dei tanta risada que cheguei a urinar na roupa”, “Fiz xixi de tanto rir”… Se você já usou uma dessas frases ou algo próximo disso, hoje quero trocar umas palavrinhas com você. Vale também para quem já ouviu alguém usar uma expressão assim. Por quê? Porque você pode fazer parte de um grupo de pessoas que sofre de um problema de saúde que passa ignorado até por profissionais de saúde, mas que pode trazer muita angústia e sofrimento com o passar dos anos: a incontinência urinária.
Você pode estar pensando agora “Que bobagem, é só quando eu dou muita risada o xixi escapa…” ou “Imagina! Foi só durante aquela crise de tosse que a urina saiu…”. Então, vou explicar melhor.

A bexiga urinária é como uma bolsa. Formada por músculo, ela recebe a urina produzida pelos rins e a armazena. Sua capacidade é de cerca de 400 mililitros.

Em condições normais, você só percebe que tem urina armazenada na bexiga quando ela já possui algo próximo a 200 mililitros. Isso acontece porque “sensores” que se localizam dentro da bexiga avisam o cérebro que existe certo volume lá dentro; o cérebro então avisa a bexiga para que você tenha tempo de encontrar um local confortável para urinar antes que ela fique cheia além de sua capacidade, trazendo riscos e desconforto.

Enquanto o músculo da bexiga está relaxado, enchendo-se de urina, existe um grupo de músculos que devem permanecer contraídos, ou seja, apertados o suficiente para que a urina que está lá dentro não escape. Este grupo de músculos é chamado de MAP, ou músculos do assoalho pélvico e têm como função manter os órgãos pélvicos (útero, bexiga e reto) bem posicionados e impedir que a urina escape mesmo quando há aumento da pressão no abdômen, que geralmente ocorre quando você ri, espirra, tosse, corre e pula, por exemplo.

Então, voltando à nossa questão inicial, perder urina não é normal, não é típico do envelhecimento ou mesmo da gestação. Os músculos do assoalho pélvico devem ser mais fortes do que a pressão causada pelo esforço da tosse, da corrida ou de qualquer esforço.

Idosos têm mais riscos de perder urina? Sim, porque por questões hormonais, eles perdem massa e tônus muscular. Gestantes e mulheres com mais partos possuem mais risco de perder urina? Sim, porque os músculos do assoalho pélvico precisaram trabalhar mais para suportar o aumento do peso do abdômen. Existem ainda fatores genéticos, entre outros, que fazem com que algumas pessoas tenham mais chances de ter perda de urina do que outras. Mas o importante neste momento é saber que isto não é normal, que há tratamento, e, mais que isso, há modos de prevenção.

Como se prevenir
Sabemos bem como fazer os músculos dos braços, das pernas ou do bumbum ficar mais firmes. Não sabemos? As academias estão cada vez mais cheias em busca deste tipo de resultado. É uma pena que os músculos do assoalho pélvico não recebam a mesma atenção mesmo precisando do mesmo cuidado, ou seja, exercícios!

Sou da opinião de que os exercícios de fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico deveriam ser ensinados aos adolescentes, ainda no ensino médio. Se todas as pessoas, especialmente mulheres aprendessem a contrair e relaxar esses músculos da forma correta durante a juventude e fizessem os exercícios alguns minutinhos por dia, certamente as filas para cirurgia para incontinência urinária em nossos serviços de saúde seriam menores. Ao mesmo tempo, menos pessoas deixariam de ter vida social e qualidade de vida pelo constrangimento causado pela perda de urina.

Incontinência urinária aos esforços
Este tipo de perda urinária, a perda involuntária de urina que acontece durante algum tipo de atividade que aumente a pressão no abdômen, é chamada de incontinência urinária aos esforços. É apenas um entre outros tipos de incontinências urinárias.

Quem já tem perda de urina deve procurar um profissional de saúde, de preferência um médico urologista, que poderá fazer encaminhamentos para outros profissionais, como enfermeiros estomaterapeutas, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros. Tais profissionais definirão a melhor forma de controlar ou eliminar os sintomas. Quando a incontinência é causada pela fragilidade dos músculos, normalmente os exercícios de fortalecimento farão parte do tratamento.

Quanto aos exercícios, vale a pena ler a respeito de pompoarismo, pois os músculos que controlam a perda urinária são os mesmo usados nestes exercícios. Atividades como yoga e pilates, desde que ensinados de forma a manter os músculos do assoalho pélvico contraídos, também são benéficos. Fora isso, exercícios específicos como os de Kegel, são muito indicados.

Gisela Maria Assis é enfermeira e coordenadora da Comissão de Cuidados com a Pele do CHC-UFPR , além de ser responsável pelo ambulatório de enfermagem em incontinências. Gisela é estomaterapeuta titulada pela Associação Brasileira de Estomaterapia; mestre em Tecnologias em Saúde e presidente Seccional da Associação Brasileira de Estomaterapia – Seção PR. Para entrar em contato com a profissional, escreva para giassis21@hotmail.com.

 

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