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Pluralismo de idéias marca novo debate sobre proposta de gestão compartilhada do HC com Ebserh, no Politécnico

Data da Notícia: 
13/08/2014 - 19:10
Tipo: 
HC
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13 de agosto de 2014 - Por Assessoria de Comunicação Social
 
 

O novo debate foi promovido no auditório do prédio da Administração, no centro Politécnico. Foto: Ana Assunção.

A Reitoria da UFPR (Universidade Federal do Paraná) repetiu a prática democrática adotada no debate anterior e garantiu um amplo pluralismo de idéias, desta vez no prédio da Administração Central do Centro Politécnico, na nova reunião comunitária sobre a proposta de gestão compartilhada do Hospital de Clínicas e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Ebserh (Empresa Brasileira de Recursos Hospitalares), hoje (dia 13), em Curitiba.

“Foi mais uma oportunidade de diálogo que tivemos para debater profundamente o tema”, disse o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho. Ele lembrou que, há cerca de dois anos, a Reitoria disse não à gestão compartilhada com a Ebserh, mas afirmou que agora não há outra opção para resolver os graves problemas da falta de leitos, recursos financeiros e quadros no Hospital de Clínicas e na Maternidade Victor Ferreira do Amaral.

“É melhor isso do que fecharmos o HC. Nós temos a garantia de que, com a Ebserh, o Hospital de Clínicas é e continuará sendo 100% público e a autonomia universitária será mantida. Jamais abriremos mão do fato de o Hospital de Clínicas continuar sendo um espaço de ensino, pesquisa e extensão. Sei também que há muitas dúvidas sobre a  situação dos servidores com a Ebserh, mas estamos construindo, junto com o Ministério Público do Trabalho, um contrato que vai garantir a permanência dos trabalhadores Funpar-HC por cinco anos, mais três. Precisamos da experiência e da competência deles para manter o HC em funcionamento e aprimorar sua qualidade, em benefício da população”, disse o reitor da UFPR.

O coordenador de Desenvolvimento de Pessoas da Ebserh, Ilson Gomes, esclareceu que o objetivo da empresa não é ter lucro e disse que seu controle é 100% público. Ele afirmou ainda que a autonomia da universidade será mantida e negou que a empresa precarize as condições de trabalhão dos servidores. “A empresa não vai cobrar um único centavo pelo atendimento que prestar. O contrato que os trabalhadores vão assinar é melhor que o do regime jurídico único. E as atividades de ensino, pesquisa e extensão serão mantidas, seguindo as diretrizes da universidade, o que está inclusive previsto em contrato”, garantiu. Até agora, 42 hospitais universitários já assinaram contrato com a Ebserh.

A superintendente do Hospital Universitário da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Joice Santos Lages, disse que a instituição aderiu a este modelo em março de 2013 e afirmou que houve grandes avanços depois que o processo foi deflagrado. “Não houve privatização nenhuma. A autonomia da universidade foi preservada. Fizemos concurso para contratar 1,9 mil pessoas e chamamos 670 funcionários, melhorando o atendimento. Reativamos vinte leitos de UTI e as atividades de ensino, pesquisa e extensão foram preservadas”, garantiu.

Centenas de pessoas participaram do debate, hoje à tarde, em Curitiba.

O diretor do HC, Flávio Tomasich, lembrou que foram promovidos vários debates na UFPR com o objetivo de discutir o tema, mas lembrou que os adversários da Ebserh não manifestaram preocupação com os pacientes. “A decisão que os conselheiros da UFPR terão que tomar é política, mas tem a ver com a saúde pública. Eu defendo o SUS plenamente, mas os hospitais universitários estão muito longe do que poderiam fazer. O sistema está sucateado. O HC está em uma situação difícil. Não se trata de pensarmos em modelo de gestão, mas de sobrevivência do hospital”, disse.

Outro lado

O diretor do Simepar (Sindicato dos Médicos), Darley Wollmann Junior, disse que não tinha sido convidado para participar do debate. Afirmou que a posição do sindicato é contrária à Ebserh, que considera ilegal por força de treze pontos elencados pela Procuradoria-Geral da República. Ele disse que os recursos repassados à Ebserh deveriam ser repassados aos hospitais. “Por que trocar uma autarquia pública por uma empresa de direito privado?”, questionou. Afirmou que os trabalhadores serão precarizados e disse que a entrada da Ebserh significa a piora da qualidade no atendimento.

Márcio Palmares, do Sinditest, disse que o debate de hoje foi uma vitória da categoria e criticou a proposta de adesão à Ebserh. “Se não tivéssemos resistido, a adesão à Ebserh teria sido aprovada em junho, na sessão do Conselho Universitário realizada na sede dos Correios”, afirmou. O sindicalista considerou que a Ebserh interessa exclusivamente à iniciativa privada e ao Governo Federal. “Ela quer explorar os procedimentos de alta complexidade, transferindo-os dos hospitais universitários para o setor privado, para ganhar dinheiro”. Ele se comprometeu ainda a garantir que o debate na sessão do Conselho Universitário do dia 21 seja realizada de forma tranquila e pacífica.

O representante do DCE, Carlos dos Santos, disse que os problemas do HC são resultado da falta de recursos da União e do impedimento da contratação da força de trabalho por meio do regime jurídico único. Ele considerou que há uma  exigência de que os recursos sejam obtidos por meio de produtividade e disse que a mudança do modelo de contratação dos servidores é uma forma de privatização e de precarização das condições de trabalho. “Se o servidor tem que aumentar sua carga de trabalho para produzir mais e não tem estabilidade, ele está sendo precarizado”. Ele disse que, nos hospitais de Brasília, Piauí, Mato Grosso do Sul, entre outras, houve vários problemas no atendimento, fechamento de serviços e agravamento das condições de trabalho dos servidores.

Participação maciça

Para garantir ampla participação no encontro, a Reitoria e a Direção do HC convidaram servidores do Hospital de Clínicas estatutários e do quadro Funpar, as diretorias do Sinditest – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba (representado por Márcio Palmares e Maximo Colares), Simepar – Sindicato dos Médicos do Paraná (representado por Darley Rugeri Wollmann Junior) e DCE – Diretório Central dos Estudantes (representado por Carlos Eduardo dos Santos).

Participaram ainda do encontro de hoje o diretor do HC, Flávio Tomasich; a procuradora-chefe da UFPR, Maria Albertina dos Santos; o coordenador de Desenvolvimento de Pessoas da Ebserh, Ilson Gomes; e a superintendente do Hospital Universitário da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Joice Santos Lages. A APUFPR (Associação dos Professores da UFPR) se recusou a participar do debate.

Esta foi a segunda reunião comunitária promovida pela Reitoria com o objetivo de debater a proposta de gestão compartilhada do Hospital de Clínicas e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Ebserh. A primeira – promovida no auditório do Hospital de Clínicas – registrou as presenças de cerca de quatrocentos servidores da UFPR. O próximo debate será promovido no dia 21, em sessão não deliberativa do Conselho Universitário.

 

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Debate sobre Ebserh será nesta quarta-feira (13)

Data da Notícia: 
13/08/2014 - 07:35
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HC
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13 de agosto de 2014 - Por Assessoria de Comunicação Social
 
 

Para tornar acessível a proposta de gestão compartilhada do Hospital de Clínicas e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Ebserh (Empresa Brasileira de Recursos Hospitalares), a Reitoria da UFPR promove um debate aberto a toda comunidade universitária nesta quarta-feira (13), às 14h, no 1º andar do prédio da Administração do Centro Politécnico.

A mesa diretora será composta por representantes de todas as entidades envolvidas no processo de discussão: Ebserh, APUFPR (Associação dos Professores da UFPR), Sinditest (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba), DCE (Diretório Central dos Estudantes), Hospital de Clínicas e Reitoria.

O debate terá três fases. Na primeira, as entidades terão dez minutos para expor suas posições sobre o tema. Na segunda, haverá perguntas e respostas entre os integrantes da mesa, com duração estimada de 60 minutos. Na última fase, também duração de 60 minutos, o plenário poderá fazer perguntas por escrito aos participantes da mesa. O encontro está previsto para terminar às 17h.

Todos os servidores do Hospital de Clínicas estatutários e do quadro Funpar foram convidados, além das diretorias do Sinditest e do Simepar (Sindicato dos Médicos do Paraná). O convite para participação também foi feito para a procuradora da República Antônia Lelia Sanches, ao procurador Peterson de Paula Pereira, representante do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao coordenador de Desenvolvimento de Pessoas da Ebserh, Ilson Gomes, e ao superintendente do Hospital da Universidade de Brasília, Hervaldo Sampaio de Carvalho.

 

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Rede de proteção é o 1º passo para evitar abandono em hospitais

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Solange Gezielli dos Santos Coning
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08/08/2014 - 00:09
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HC
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Promotor atendeu 4 mil casos envolvendo idosos.
 
Uma política pública voltada para os idosos e suas necessidades pode ser o primeiro passo para esvaziar os leitos de unidades de saúde que hoje abrigam pacientes que já estão de alta, mas sem um lugar adequado para serem recebidos. Conhecedor das causas ligadas a pessoa da terceira idade, o promotor Mario Luiz Ramidoff, da 2ª Promotoria de Defesa dos Direitos do Idoso, propõe a criação de uma rede de proteção. Com uma política voltada para os idosos, as ações seriam mais rápidas. “A primeira ação seria criar a Defensoria de Proteção ao Idoso, só com isso já agilizaria todo meu trabalho”, explica ele, que neste ano atendeu quatro mil casos, desde negligência e abandono à escolha de cuidador.
 
O promotor está trabalhando na criação da rede que envolveria a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), secretarias estadual e municipal de Saúde, Defensoria Pública e demais entidades. Com esta nova política seria possível implantar um programa para atendimento domiciliar. “Se um idoso tiver atendimento em casa vai evitar muitos casos de abandono”, reforça Ramidoff.
 
Vagas em casas de longa permanência que possam receber idosos acamados é também uma das soluções apresentadas por Solange Coning, supervisora técnica do Serviço Social do Hospital de Clínicas (HC).  “Curitiba não tem nenhuma casa ou instituição para atender essas pessoas”, afirma.
 
 
E é justamente nesta linha de ação que a Prefeitura de Curitiba deve lançar até novembro o programa Cuidador Domiciliar. “Os pacientes que precisam destes cuidados receberiam o cuidador em casa. Isso permitiria que estas pessoas que estão nos leitos voltassem para casa após receber alta”, explica Angela Mendonça, diretora de proteção Social Especial da FAS. Outras novidades serão anunciadas nos próximos meses. “Fechamos uma parceria que vai abrir 30 vagas para atender idosos e pessoas com necessidades especiais. Também poderão receber pessoas que precisem deste atendimento após receber alta.Vamos avaliar as prioridades”, acrescenta Angela.
 
Porém, as soluções não pretendem fazer com que o governo assuma totalmente a responsabilidade sobre estas pessoas, mas para que as famílias tenham mais tempo para se preparar e poder receber esses pacientes. São programas de apoio como opção de “estadia” após a alta dos pacientes. O HC realiza um trabalho de instrução e treinamento das famílias que receberão o familiar de alta, e também acompanha o paciente após sua saída da instituição. É feita pelo menos uma visita domiciliar para verificar se os procedimentos estão sendo feitos. “Esta preparação começa antes do paciente receber a alta. O paciente que vai para casa é aquele que precisa de atendimento básico, que qualquer pessoa pode fazer”, explica Solange.
 
 
Para mudar a triste realidade, restrita ao quarto de hospital, as soluções precisam ser colocadas em prática, para que pacientes como Maria (da primeira reportagem da série, que morreu sem que um parente a levasse pra casa) não morram nos hospitais a espera de uma vaga em casa de longa permanência ou de um cuidador, e que mulheres como Silvia (da segunda reportagem, sem recursos para receber o pai em casa) não vejam os pais morrerem por falta de condição de dar um atendimento digno em casa.
 
 
O Hospital das Clínicas (HC) afirma, em nota, que apesar de Silvia, personagem da matéria publicada na terça-feira, assegurar que recorreu a todos os recursos para retirar o pai da unidade após receber alta, o HC “realiza todos os procedimentos previstos em lei e busca garantir os direitos do paciente. A equipe médica por sua vez, não libera pacientes em alta, sem que se tenha a ciência de que os mesmos receberão os cuidados necessários pós-alta para o seu bem-estar, manutenção do estado de saúde e suporte da rede de atendimento”.
 
O hospital afirma que “em casos específicos uma equipe multiprofissional do hospital realiza visita domiciliar para acompanhar e verificar se o paciente está recebendo o atendimento necessário”. O HC diz que realiza o acompanhamento dos casos em que família se sente insegura ou alega não ter condições de receber o paciente. Para isso envolve uma equipe para orientá-la e reforça que em nenhum momento o familiar é pressionado e sim esclarecido sobre a situação”.
 
 
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Reitoria promove novo debate sobre proposta de gestão compartilhada com Ebserh dia 13, às 14h, no Politécnico

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Zaki Akel Sobrinho (UFPR)
Data da Notícia: 
07/08/2014 - 17:48
Tipo: 
HC
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Corpo: 
7 de agosto de 2014 - Por Assessoria de Comunicação Social
 
 

Cerca de 400 pessoas participaram do último debate, no auditório do HC.

A Reitoria da UFPR (Universidade Federal do Paraná) promove novo debate sobre a proposta de gestão compartilhada do Hospital de Clínicas e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Ebserh (Empresa Brasileira de Recursos Hospitalares) no dia 13 de agosto (quarta-feira), às 14h, no 1º andar do prédio da Administração Central do Centro Politécnico. O encontro está previsto para terminar às 17h.

A mesa diretora será composta por representantes de todas as entidades envolvidas no processo de discussão: Ebserh, APUFPR (Associação dos Professores da UFPR), Sinditest (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba), DCE (Diretório Central dos Estudantes), Hospital de Clínicas e Reitoria.

O debate terá três fases. Na primeira, as entidades terão dez minutos para expor suas posições sobre o tema. Na segunda, haverá perguntas e respostas entre os integrantes da mesa, com duração estimada de 60 minutos. Na última fase, também duração de 60 minutos, o plenário poderá fazer perguntas por escrito aos participantes da mesa.

Ampla participação

Esta será a segunda reunião comunitária promovida pela Reitoria com o objetivo de debater a proposta de gestão compartilhada do Hospital de Clínicas e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Ebserh. A primeira – promovida no auditório do Hospital de Clínicas – registrou as presenças de cerca de quatrocentos servidores da UFPR.

Para garantir ampla participação no encontro, a Reitoria e a Direção do HC convidaram todos os servidores do Hospital de Clínicas estatutários e do quadro Funpar, as diretorias do Sinditest (e do Simepar (Sindicato dos Médicos do Paraná); além da procuradora da República Antônia Lelia Sanches; do procurador Peterson de Paula Pereira, representante do procurador-geral da República, Rodrigo Janot; do coordenador de Desenvolvimento de Pessoas da Ebserh, Ilson Gomes; e do superintendente do Hospital da Universidade de Brasília, Hervaldo Sampaio de Carvalh

 

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A turma que não tem medo da aids

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Data da Notícia: 
05/08/2014 - 08:52
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Fotos: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Fotos: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / Confraternização dos soropositivos na chácara dos capuchinhos, em Almirante TamandaréConfraternização dos soropositivos na chácara dos capuchinhos, em Almirante Tamandaré

EM BUSCA DA CURA

Nos bastidores do HC, grupo reúne soropositivos para conversar, tirar dúvidas e ajudá-los na mais difícil das tarefas: perseverar no uso dos antirretrovirais

Publicado em 05/08/2014 | 

 

“Pessoal, hora de dar os 12 abraços...”, bate palmas e avisa o capuchinho Pedro Brondani, 50 anos, para os pouco mais de 20 membros do “Grupo de Adesão” que funciona no Hospital de Clínicas da UFPR. Por que 12 e não 10, nem frei Pedro sabe explicar. “Inventei no chute”, confessa. Quanto ao abraço, o motivo é evidente: as pessoas que estão ali foram contaminadas pelo HIV e em algum momento deixaram de ser tocadas por parceiros, parentes e amigos. Um abraço não basta para confortá-las. Já 12... Poucas reuniões terminam tão calorosas quanto essa.

INFOGRÁFICO: Confira o número de contaminados no Brasil

Frade radicaliza na acolhida aos contaminados

 



Frei Pedro num encontro do Grupo de Adesão do HC, em Almirante Tamandaré

 

Contra. Do alto de seus 26 anos de atendimento pastoral a soropositivos, o frei Pedro Brondani discorda da tese de que se deve antecipar a adesão aos antirretrovirais. Os efeitos colaterais não pagam a pena, comenta o religioso, que vê na proposta uma estratégia da indústria farmacêutica. “Eles vivem mais, mas a que custo? O HIV não é como uma gripe”, opina o homem que contesta os próprios números da aids – melhor seria aceitar que 10% da população está contaminada e jamais descuidar das campanhas. “Não dá para esperar o carnaval”. Pelos dados oficiais, em Curitiba haveria 32 mil soropositivos.

Para a enfermeira Maria Alba de Oliveira Silva, que atua com o frade no “Grupo de Adesão do HC”, contudo, é muito difícil contrariar os protocolos. Pessoas com CD4 alto – ou seja, com imunidade boa – devem ter acesso a medicamentos dos programas do governo.

Missão

O pontagrossense Brondani entendeu o significado da aids em 1988, então um recém-ordenado. Morava nos arredores de Londrina, no Norte do Paraná, quando foi chamado para “encomendar” um corpo, como ainda se fala. Era de um jovem de família rica, morto nos EUA, em decorrência do HIV. O caixão chegou lacrado. “No velório estávamos apenas os pais dele e eu, só”, conta, para bons entendedores. Embora tenha se dedicado também às vítimas de hanseníase, frei Pedro foi “contaminado” de pronto pelo drama da aids.

Nos anos seguintes, participaria de abertura de casas de acolhida em Foz do Iguaçu e no Norte Pioneiro, até chegar a Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O próximo passo é a África, onde a aids é um dos principais problemas de saúde pública. No convento onde mora – um seminário à moda antiga, com muitos quartos e áreas verdes – o capuchinho recebe contaminados em busca de conforto e orientação.

Travestis, transexuais estão entre os que são acolhidos na área de hospedagem do convento, sem distinção, até que se sintam fortalecidos para voltar à vida comum. Costumam ficar até uma semana. Há os que procuram o frei pelas redes sociais – os conflitos em torno da sexualidade e da doença são infinitos, comenta. “Eles se assustam quando veem esse cara barbudo dizendo que os ama e aceita. Para mim, é o Cristo que está sofrendo neles”, comenta.

“Tive sim de enfrentar meus próprios conflitos ao me deparar com o mundo dos soropositivos. Logo lembrei que ‘a casa de Deus tem muitas moradas’. Não faz sentido achar que só um tipo de gente vai participar do Reino dos Céus”, conta o homem pequeno de longas barbas brancas, cordato, que se emociona ao lembrar dos muitos que morreram em seus braços, nas casas de acolhida em que trabalhou. “Tenho certeza que morreram acreditando num Deus misericordioso”, completa.

O carisma franciscano de frei Pedro Brondani convive com o espírito combativo. Ele se escora nos documentos da Igreja para defender que a vida é um bem supremo, que deve ser defendida acima de tudo. Mesmo assim, muitos se surpreendem ao vê-lo, de hábito, em datas ocasionais, como o Dia Mundial de Combate à Aids, distribuindo preservativos. “Quanto menos informação, mais risco”, resume. Há o momento da negação, depois a culpa – de Deus e de si mesmo. Meu esforço é mostrar a essas pessoas que elas são mais do que o HIV.”

O “Grupo de Adesão do HC” foi criado pela enfermeira Maria Alba de Oliveira Silva, 54 anos, e pelo assistente social Silas Moreira, 53 anos. Frei Pedro e a turma com a qual atua na Pastoral da Aids, da Arquidiocese Metropolitana de Curitiba, vieram atrás. Todos batem ponto no HC nas tardes de terça-feira, quando acontecem os encontros.

Não tem segredo. Forma-se uma roda de conversa, quem levanta a mão ganha a palavra. Silêncios são raros. Um pede para falar de angústias de momento, outro quer contar que está namorando – e se “tudo bem?” O homem com HIV quer saber se “aguenta” um tratamento para hepatite C. A senhora conta mais uma vez como a tragédia da doença lhe reservou uma experiência mística. Convive com o vírus faz mais de 20 anos, o que não é raro por ali.

Não há pauta fixa – o grupo nasceu para criar vínculos afetivos e ajudar as pessoas a incorporarem os medicamentos à sua rotina, 365 dias por ano, nos mesmos horários, pois do contrário o remédio vira veneno. Quem já teve rejeição a cápsulas e afins sabe como é. Some-se que o tratamento tem de ser para sempre, que a doença carrega um estigma e que os efeitos colaterais dos medicamentos são tantos que convidam ao fracasso.

Festa

No começo do ano que vem, o “Grupo de Adesão do HC” completa 15 anos. Vai ter festa. É uma daquelas experiências simples, mas tão bem-sucedida que, num mundo perfeito, seria apresentada em congressos e copiada aqui e ali. Não é o que acontece. Todas as semanas, Alba e Silas precisam conseguir uma sala para o encontro, ratear o lanche, como se habitasse as catacumbas. Nem amostras grátis da indústria farmacêutica recebem mais. “Às vezes, me pego pensando que se fosse projeto encabeçado por um médico haveria mais apoio”, lamenta a enfermeira, recém-aposentada nas Clínicas, hoje voluntária. Conta ter largado mão de todos os sonhos de reconhecimento por seu trabalho, menos um: deseja que o projeto se torne política de saúde pública – uma vez que os benefícios são comprovados. Faz sentido.

Os coquetéis

O programa brasileiro de distribuição de antirretrovirais, os coquetéis antiaids, como foram apelidados nos anos 1990, costuma ser apontada como a melhor do planeta. São 21 drogas distribuídas para 313 mil pacientes. Mas essa eficiência não é o bastante para driblar o maior dos impasses – a interrupção do tratamento, logo que alguém sente o impacto causado pelas drogas. Quando deixa de tomar os comprimidos, ou o faz de forma irregular, o paciente “queima” a medicação, como se diz, obrigando a doses maiores e à experimentação de fórmulas diferentes. Nem sempre esse câmbio é possível. Fácil deduzir o desfecho.

De briga com os comprimidos

“O grupo de adesão foi a minha primeira terapia”, resume “G.”, 48 anos, militante da área da saúde. Contaminada pelo marido há uma década, entrou em “parafuso”. Rejeitava até água, quanto mais os comprimidos, que lhe caíam como um veneno. O infectologista Alceu Fontana Pacheco Júnior interferiu. “Me fez ver que eu queria morrer, mas disse que não iria deixar isso acontecer...” Uma das medidas foi encaminhá-la a Alba e Silas, que lhe apresentaram a pessoas que viviam o mesmo dilema, que tinham família, amores, emprego e que estavam em pé. “Me animei. Descobri que não era sozinha. Um dia cortei o cabelo, me maquiei e vim para cá. Foi o recomeço”, lembra.

No grupo, além de fazer amigos, “G.” aprendeu a afugentar o maior entrave na rotina dos soropositivos – os efeitos indesejáveis dos medicamentos: da concentração de gordura à perda de musculatura facial, passando por enjoos e diarreias, além da irritabilidade e a perda da memória – o Ministério da Saúde lista 10 efeitos. Só o item distúrbios gastrointestinais soma 12 efeitos. É preciso se colocar no lugar dos soropositivos para entender. Esses sintomas podem se manifestar no trabalho, na sala de aula, dentro de um ônibus – obrigando a descer às pressas, voltar a pé.

Sucesso ou insucesso

Alba e Silas estudam a rotina de cada um, onde e com quem moram, o que comem, que horas dormem, se trabalham, se a família sabe da doença. Qualquer condicionante pode determinar o sucesso e o insucesso das cápsulas ou injeções. Cabe à dupla mostrar que é possível. “Engolir um comprimido depende e muitos fatores. Temos de manejar tudo, da sexualidade à espiritualidade”, brincam os idealizadores do projeto. “Quando aconteceu o primeiro óbito, a gente pensou ‘e agora?”. Daí a importância de levantar a mão e pedir para falar. É nesse gesto banal de civilidade que se fica sabendo dos pequenos e grandes motivos para deixar de tomar os remédios, pondo tudo a perder.

“Meu advogado disse que eu mereço a doença que tenho”, conta “J”, uma viúva, sobre uma discussão profissional que acabou em golpe baixo. Desestabilizou-se, o bastante para mandar tudo às favas. Mas não dessa vez. Depois do grupo de adesão, deu de acreditar que vai usar salto alto de novo e se pôr bonita. Essas histórias fazem a alegria das tardes no HC. Tempos atrás, apareceu um pretendente para “J”. E agora? Para desmotivá-lo na conquista, disse que não sabia cozinhar. “Como contar a verdade?”, pergunta ela, sobre um dilema amoroso que nunca ninguém se preparou para resolver. O grupo tenta ajudar. Nem sempre sabe a resposta. Amigo é para essas coisas.


 

 

Grupo de Adesão

 

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Projeto ajuda pais a ocuparem melhor o tempo em sala de espera do HC

Data da Notícia: 
31/07/2014 - 18:47
Tipo: 
HC
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31 de julho de 2014-Por Assessoria de Comunicação Social
 
 

Qualquer um que já esteve em uma sala de espera de um hospital sabe da ansiedade que o ambiente pode gerar. Desde 2012, voluntários do projeto ‘Ocupando o tempo’ ajudam a diminuir esse desconforto nos ambulatórios do Centro de Neuropediatria (Cenep) do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR.

A iniciativa é voltada para os pais de pacientes do Cenep e, além de otimizar a espera, promove a conscientização em relação a aspectos pricopedagógicos. “Muitos pais transferem a função paterna e materna para os profissionais do hospital e mantêm-se ausentes nos momentos em família”, diz a psicopedagoga Jacqueline Andréa Glaser, coordenadora do projeto.

Por meio de atividades que envolvem dramatizações, dinâmicas de grupo ou rodas de conversa estimuladas pelos voluntários, os pais aprendem a atuar de forma mais consciente na criação dos filhos ao mesmo tempo em que veem o tempo passar com menos ansiedade na sala de espera do ambulatório.

Voluntários

Os bons resultados, observados desde o primeiro semestre de execução, mantêm em andamento o projeto, que neste momento recruta estudantes para participar como voluntários nos próximos cinco meses. Podem se inscrever alunos dos cursos de Pedagogia, Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Serviço Social a partir do 2º ano.

O contato pode ser feito por e-mail pelo endereço jacque.glaser@gmail.com. Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas neste link.

 

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Reitor da UFPR explica como fica o atendimento da população no Hospital de Clínicas

Data da Notícia: 
13/06/2014 - 08:45
Tipo: 
HC
Veículo: 
Corpo: 

Privatização

 

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Realizada a ativção do primeiro implante "Bonebridge" do estado do Paraná

Profissional: 
Rogério Hamerschmidt
Data da Notícia: 
31/07/2014 - 22:06
Tipo: 
HC
Corpo: 

No dia 28 de julho de 2014 foi feita a ativação do primeiro paciente submetido ao implante ósseo tipo "bonebridge" do estado do Paraná. O paciente, um rapaz com microtia bilateral, usuário de vibrador ósseo convencional, realizou a cirurgia no Hospital IPO, em Curitiba-PR, com o Prof. Dr. Rogério Hamerschmidt e sua equipe, e fez a ativação com as Fonoaudiólogas Gislaine Wiemes e Marília Botelho, tendo apresentado respostas espetaculares já no momento da ativação, o que emocionou toda a equipe e a mãe do paciente que estava presente. 



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Inscrição para instrutor de cursos no HC vão até dia 31

Data da Notícia: 
25/07/2014 - 18:46
Tipo: 
HC
Veículo: 
Corpo: 
25 de julho de 2014

 

Por Celsina Favorito
 
 

fachada da Progepe. Foto Marcos Solivan

Interessados em atuar como instrutores em cursos de capacitação voltados aos profissionais que atuam no Hospital de Clínicas têm prazo até o dia 31 deste mês para se dirigirem à Unidade de Capacitação e Aperfeiçoamento de Pessoas (UCAP), localizada no 3º andar, no período das 9 às 17 horas.

É vedada a inscrição aos servidores afastados de suas atividades para servir em outro órgão; em licença para tratar de interesses particulares, para tratamento da própria saúde ou de pessoa da família. Também não poderão se habilitar os profissionais que obtiveram avaliação negativa em cursos anteriores.

Mais informações sobre a inscrição e os cursos em que existem vagas para ser instrutor podem ser obtidas no edital disponibilizado em http://www.progepe.ufpr.br/progepe/documentos/cdp/Edital%200814.pdf

Celsina Favorito

 

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